Cinco dúvidas sobre a volta das aulas presenciais
07/09/2020 11:56 em Novidades

  O retorno das aulas presenciais, quando for marcado, será feito com diversos protocolos, orientações e regras a serem seguidas. Contudo, muitas dúvidas ainda pairam no ar sobre essa volta, independentemente de quando acontecer. Como ficam os grupos de risco? Quem não fizer parte desses grupos será obrigado a voltar? Como ficam os pequenos, caso as escolas infantis - como tem se anunciado - fechem em massa? E os "vestibulandos"? Aulas de inglês, de dança, de futebol, essas também retornam? Encontro conversou com especialistas para tentar responder a essas perguntas - tentar, pois quem bate mesmo o martelo é o poder público, que ainda não divulgou definições sobre os temas. Confira:

 
Como ficam os alunos do grupo de risco?
 
O Colégio Santo Agostinho, que tem um grupo de trabalho para os planos de retorno e contratou uma consultoria para elaboração do protocolo, responde que pessoas pertencentes a grupos de risco terão tratamento diferenciado. "Imaginamos que o protocolo oficial aborde essa questão, mas não podemos opinar a respeito de decisões oficiais. O protocolo para retomada das aulas presenciais no Santo Agostinho terá tratamento diferenciado para alunos e colaboradores que fazem parte desse grupo", diz Fernanda Fernandes, gestora de Relações Humanas da mantenedora da escola e integrante do GT. Segundo ela, o protocolo de retorno vai contemplar metodologias tanto para os alunos aptos a frequentar as unidades do colégio quanto para os que não poderão fazê-lo. "De certa maneira, já estamos adaptados a esta realidade virtual que poderá ser mantida para os alunos que estiverem impossibilitados de comparecer à escola com segurança", diz. Fernanda ressalta, ainda, a importância de avaliações diagnósticas para adequação do que for necessário, em termos de aprendizado. "Vemos a possibilidade híbrida como um desafio natural de todas as escolas e estamos nos preparando para esse cenário."
 
Pais que estiverem inseguros de enviar os filhos à escola, ainda que estes não sejam parte de grupos de risco, poderão escolher ficar na modalidade remota?
 
O professor Valseni Braga, diretor-geral da Rede Batista de Educação, diz que sim. "Acreditamos que a legislação não será contrária à permanência em casa daqueles alunos cujos pais ainda estejam inseguros de liberá-los para frequentar as aulas presenciais", afirma. É esta, aliás, a orientação do Conselho Nacional de Educação, que recomendou aos sistemas de ensino do país, em parecer divulgado em julho, a flexibilização do controle de frequência no retorno às aulas presenciais e também que os pais decidam sobre a volta dos filhos à escola. No caso do Batista, cujo plano de retorno já está pronto, eles veem três grupos entre os que não retornarão de imediato às aulas presenciais: alunos que são do grupo de risco ou residem com alguém do grupo de risco; os filhos de pais que estarão inseguros de liberar seus filhos para frequentarem a escola; e também os que gostaram da experiência online e preferem continuar nessa modalidade, enquanto for permitido. "Qualquer que seja a opção da família, presencial ou online, a escola não abrirá mão de atuar com eficiência, no sentido de promover a aprendizagem dos estudantes", diz. Devido à provável orientação de que haja distanciamento mínimo entre os alunos, em muitos casos, uma parcela de estudantes ficará mesmo ficar em casa, sendo atendida pelo ensino remoto (ou em sistema de rodízio). Em relação a passar segurança às famílias sobre o retorno, o Batista tem feito um trabalho de comunicação bem direto, "evidenciando que estamos tomando todas as providências no sentido de garantir um retorno seguro das aulas presenciais, quando for autorizado pelas autoridades", diz Valseni. "Acreditamos que esse trabalho, uma vez apresentado, vai gerar segurança para as famílias, sobre a capacidade da escola de lidar com o retorno às aulas presenciais."
 
 
Cursos livres voltam ao mesmo tempo que o ensino regular?
 
Até o fechamento desta edição, a prefeitura de BH ainda não havia divulgado o cronograma de retorno das escolas, então não é possível confirmar que sim. Há experiências diversas no país - por exemplo, casos em que cursos de inglês, dança, teatro puderam voltar antes das escolas. É como ocorreu no estado de São Paulo, onde esses cursos já podem funcionar, com 40% dos alunos, desde julho, nas regiões que estão na chamada "fase amarela". A previsão de Carla A. Longobucco, diretora do Wizard da Savassi e diretora financeira do Sindicato dos Cursos Livres de Minas Gerais (Sindilivre), que representa cursos de idioma, é de que o retorno, em Minas, se dê juntamente com a reabertura das escolas. O sindicato está desenhando uma cartilha de orientações que será divulgada às escolas de idiomas do estado (cuja grande maioria tem oferecido aulas online neste período). Entre as recomendações, dispensadores de álcool em gel, cartazes com orientações, desinfecção das salas entre as aulas, proibição de atividades extracurriculares que promovam aglomeração, prática de distanciamento físico e uso de máscara pelos professores, demarcações nas salas, e, se necessário, diminuição do número de alunos (a média seria de 10 a 15 alunos por sala, segundo o Sindilivre), bem como uso do termômetro e manutenção de salas ventiladas, com janelas abertas. O curso livre de teatro e dança BH Broadway tem trabalhado na elaboração de um plano de retorno, mas acredita que isso só deve acontecer após a liberação não apenas de aulas presenciais no ensino regular, mas também de outras atividades, como academias de ginástica, judô, karatê. "Por enquanto, temos promovido aulas online, que têm sido bastante satisfatórias", dizem as diretoras Patrícia Marra e Fernanda Cadete. No programa de reabertura do governo do Estado, o Minas Consciente (do qual BH não faz parte), esses cursos estão em uma categoria específica, "atividades especiais", que não fazem parte de nenhuma das ondas previstas, seguirão regras específicas e ainda estão sem previsão de retorno.
 
 
O que os alunos do terceiro ano devem fazer agora que saíram as datas do Enem?
 
"Para essas turmas não há possibilidade de deixar o conteúdo para o ano que vem", explica Rommel Domingos, diretor de ensino do Colégio Bernoulli. "Elas vão fazer uma prova, com data marcada, e a gente tem de terminar o conteúdo. E bem dado", diz. Assim, em relação ao retorno das aulas presenciais, a escola está prevendo, além da continuidade do ensino das matérias, semanas revisionais, pelo menos uma por mês. Elas serão dedicadas ao conteúdo visto durante o período de isolamento social, e a escolha dos temas e do tempo dedicado a cada tema se dará com base no desempenho dos alunos nos simulados. "Fora isso, não descartamos hipótese de haver ainda aulas adicionais de revisão, se necessário for. E as monitorias serão intensificadas, sendo que poderão acontecer na escola ou à distância", afirma. O calendário irá até janeiro (data do Enem), sem férias de fim de ano - apenas um pequeno recesso para o Natal e o Ano Novo. Dessa maneira, Rommel acredita que é possível fazer a conclusão do ano escolar até a prova com qualidade. Ele ressalta, ainda, que alunos que estejam com dificuldades específicas terão apoio e recuperações necessárias, individualmente. "A escola, quando voltar ao presencial, tem de dar todas as condições para os alunos assimilarem o conhecimento", afirma "Eles não podem pagar por uma conta que não é deles". Em relação a alunos que não tenham tido o privilégio de educação online ou remota durante esse período de isolamento, a dica do diretor é: "faça o seu melhor". "Se a pandemia foi o problema, quando voltarmos ao presencial, concentre seus esforços nesse período de produtividade", diz. "Retomando o ritmo, acredito que o aluno consiga fazer uma boa prova. Se não for suficiente, o desafio em 2021 é continuar crescendo", conclui.
 
 
O fechamento de escolas infantis pode ocasionar blecaute de vagas?
 
"Não temos esses dados, mas temos ouvido falar de escolas fechando. Sabe-se, de toda forma, que a grande maioria está em situação muito difícil financeiramente em função de cancelamento de contratos e inadimplência. Não sabemos quantas voltarão", explica a presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Zuleica Reis Ávila. O caso das escolas infantis é peculiar por dois motivos: crianças até 3 anos não precisam estar matriculadas (somente a partir dos 4 a matrícula é obrigatória), o que fez com que famílias optassem por cancelar contratos; além disso, as aulas remotas não funcionam bem para os pequeninos, o que também pesa para pais que não estejam em condições financeiras de manter o pagamento. Segundo a secretaria municipal de educação, apenas quatro escolas infantis particulares declararam oficialmente o fechamento junto aos órgãos oficiais. Contudo, Zuleica diz que muitas podem não ter dado baixa formal, mas já encerraram atividades - e talvez possam reabrir quando as aulas presenciais forem autorizadas, mas não é possível saber. "No Paraná, a secretaria de educação fez uma pesquisa sobre a evasão escolar, e era isso que precisávamos fazer aqui", diz. A preocupação, explica, é quanto a pais que não possam mais pagar mensalidade e queiram transferir os filhos para a educação pública - sobrecarregando, assim, o sistema. Contudo, essa procura por vagas também não tem números oficiais, pois as matrículas nas escolas públicas estão suspensas neste momento da pandemia. De acordo com Letícia Martins, dona de escola infantil e participante do movimento Pró-Educação (que reúne instituições do segmento), colégios grandes, que atendem a várias séries, encerraram as atividades do infantil - ainda não se sabe se provisoriamente - e algumas escolas pequenas estão aguardando agosto para decidirem se fecham ou não (dependendo de conseguirem empréstimos do governo e também de alguma data prevista para retorno).  Segundo o último Censo, eram 687 escolas particulares de educação infantil na cidade, atendendo a 54.662 alunos.
 
LEG
 
Fernanda Fernandes, gestora de Relações Humanas da mantenedora do Santo Agostinho: "De certa maneira, já estamos adaptados a esta realidade virtual que poderá ser mantida para os alunos que estiverem impossibilitados de comparecer à escola com segurança"
 
Carla Longobucco, diretora do Wizard da Savassi e diretora do Sindicato dos Cursos Livres de Minas Gerais (Sindilivre): para ela, retorno deve ser junto com as escolas
 
Valseni Braga, diretor-geral da Rede Batista de Educação: "Acreditamos que a legislação não será contrária à permanência em casa daqueles alunos cujos pais ainda estejam inseguros de liberá-los para frequentar as aulas presenciais"
 
Rommel Domingos, diretor de ensino do Bernoulli: calendário irá até janeiro, sem férias de fim de ano, apenas um pequeno recesso para o Natal e o Ano Novo
 
fonte - https://www.revistaencontro.com.br
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